Quem são?

Os Mestres do Oriente trabalham em diversas religiões, inclusive na Umbanda. São muito discretos em sua forma de se apresentar e trabalhar e estas formas mudam de acordo com a religião ou local em que irão atuar. 

São espíritos de grande conhecimento, seriedade e elevação espiritual. 

São extremamente práticos, não aceitam conversas banais e não deixam que ficquem se estendendo a assuntos que vão além de sua competência ou nos quais não podem interferir, pois não são guias de consulta no sentido ao qual estamos habituados na Umbanda.

Para se ter uma ideia melhor, sua consulta seria o polo oposto à consulta com um Preto-Velho. 

Normalmente, os Pretos-Velhos dão consultas longas, cheias de ensinamentos, de histórias, apelando bem para o lado emocional. 

Já os Mentores de Cura se dirigem ao raciocínio e buscam fazer o encarnado compreender bem as causas de suas enfermidades e a necessidade de mudança nessas causas, bem como a necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados. 

Quando precisam passar algum ensinamento, fazem-no em frases curtas e cheias de significado, daquelas que dão margem a longas meditações.

São espíritos que quando encarnados foram: médicos, enfermeiros, boticários, orientais (que exercem sua própria medicina desde bem antes das civilizações ocidentais), religiosos (monges, freis, padres, freiras, etc.), ou exerceram qualquer outra atividade ligada à cura das enfermidades dos seres humanos com métodos físicos, científicos ou espirituais.

Organização espiritual dos Mestres do Oriente

Primeiro raio: azul

Dia da semana: domingo

Diretores: Lord e Lady Sírius.

Qualidades: fé, poder, proteção, determinação, ânimo e coragem.

Segundo raio: amarelo

Dia da semana: segunda-feira

Diretores: Mestre Lanto, Mestre Confúcio

Qualidades: iluminação, equilíbrio, paz, discernimento e sabedoria.

Terceiro raio: rosa

Dia da semana: terça-feira

Diretores: Mestra Rowena e Amado MahaC hohan.

Qualidades: amor, gratidão, reverência a toda vida, generosidade, tolerância, harmonia, presença da benção em manifestação.

Quarto raio: branco

Dia da semana: quarta-feira

Diretores: Mestre Seraphys Bey e Ísis.

Qualidades: pureza, esperança em ação, ressurreição, ascensão e plenitude.

Quinto raio: verde

Dia da semana: quinta-feira

Diretores: Mestre Hilarion e Palas Athenas.

Qualidades: verdade cósmica em ação, poder de cura autogerada, dedicação e consagração.

Sexto raio: vermelho

Dia da semana: sexta-feira

Diretores: Mestre Jesus e Nada, João – O Bem Amado, Salomé e a Mãe de João.

Qualidades: paz e força para prestar serviços à vida, serenidade, devoção, desprendimento e bem-aventurança de deus.

Sétimo raio: violeta

Dia da semana: sábado

Diretores: Mestre Saint Germain e Lady Pórtia.

Qualidades: transmutação, libertação, misericórdia, perdão, purificação e poder.

Texto adicional:

A Linha do Oriente

Edmundo Pellizari

A Linha do Oriente é parte da herança da Umbanda brasileira. Ela é composta por inúmeras entidades, classificadas em sete falanges e, maioritariamente, de origem oriental.

Apesar disso, muitos espíritos desta Linha podem apresentar-se como Caboclos ou Pretos-Velhos.

O Caboclo Timbirí (caboclo japonês) e Pai Jacó (Jacob do Oriente, um Preto-Velho bastante versado na cabala hebraica), são os casos mais conhecidos. 

Hoje em dia, ganha força o culto do Caboclo Pena de Pavão, entidade que trabalha com as forças espirituais divinas de origem indiana. 

Mas nem todos os espíritos são orientais no sentido comum da palavra. Esta Linha procurou abrigar as mais diversas entidades, que, a princípio, não se encaixavam na matriz formadora do brasileiro (índio, português e africano).

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições budistas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a frequentar a Umbanda e trouxeram seus ancestrais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era comum nesta Linha a presença dos queridos espíritos dos Ciganos, que possuem origem oriental, mas tamanha foi a simpatia do povo umbandista por estas entidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensinamentos.

 Hoje, a influência do Povo Cigano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.

Existem muitas maneiras de classificar esta Linha e este pequeno artigo não pretende colocar uma ordem na maneira de os umbandistas estudarem esta vertente de trabalho espiritual. 

Deixo a palavra final para os mais velhos e sábios desta belíssima e diversificada religião. 

Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e médiuns afinados com a Linha do Oriente.

Namastê e Salve o Oriente!

Características da Linha do Oriente:

▪ Lugares preferidos para oferendas: as entidades gostam de colinas descampadas, praias desertas, jardins reservados (mas também recebem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

▪ Cores das velas: rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

▪ Bebidas: suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

▪ Tabaco: fumo para cachimbo ou charuto. Também utilizam cigarro de cravo.

▪ Ervas e flores: Alfazema, todas as flores que sejam brancas, palmas amarelas,

monsenhor branco, monsenhor amarelo.

▪ Essências: alfazema, olíbano, benjoim, mirra, sândalo e tâmara.

▪ Pedras: citrino, quartzo rutilado, topázio imperial (citrino tornado amarelo por

aquecimento) e topázio.

▪ Dia da semana recomendado para o culto e oferendas semanais: quinta-feira.

▪ Lua recomendada (para oferenda mensal): segundo dia do quarto minguante ou primeiro dia da Lua Cheia.

Classificação da Linha do Oriente:

Suas falanges, espíritos e chefes:

Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mestres, yogues, etc. Um de seus mais conhecidos integrantes é Ramatis. A falange dos Indianos está sob a chefia de Pai Zartu.

Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nômades do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc. 

A maioria é muçulmana. Uma legião está composta por rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam, dentro da Umbanda, a misteriosa Cabala. 

A falange dos Árabes e Turcos está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

Falange dos Chineses, Mongóis e de outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curiosamente, uma legião está integrada por espíritos de origem esquimó, que trabalham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia negra. 

A falange dos Chineses, Mongóis e de outros Povos do Oriente está sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

Falange dos Egípcios:

Espíritos de antigos sacerdotes, sacerdotisas e magos de origem egípcia antiga. A Falange dos Egípcios está sob a chefia de Pai Inhoaraí.

Falange dos Maias, Toltecas, Astecas e Incas:

Espíritos de xamãs, chefes e guerreiros destes povos. A Falange dos Maias, Toltecas, Astecas e Incas está sob a chefia de Pai Itaraiaci.

Falange dos Europeus:

Não são propriamente do Oriente, mas integram esta Linha, que é bastante sincrética, espíritos de sábios, magos, mestres e velhos guerreiros de origem europeia: romanos, gauleses, ingleses, escandinavos, etc. 

A falange dos Europeus está sob a chefia do Imperador Marcus I.

Falange dos médicos e sábios:

Os espíritos desta falange são especializados na arte da cura, que é integrada por

médicos e terapeutas de diversas origens. A falange dos médicos e sábios está sob a chefia de Pai José de Arimateia.

Males físicos

A maior parte dos males físicos de que os encarnados sofrem é causada pelos maus hábitos, vícios e má alimentação. 

Os mentores nestes casos se utilizam das diversas terapias para a cura, mas principalmente esclarecem ao encarnado quanto à origem de tais males, sugerindo dietas, o abandono ou diminuição dos vícios e a mudança de hábitos. 

Nestes casos, a cura definitiva só pode ser obtida com a plena conscientização do paciente e com a sua força de vontade e compromisso na obtenção do equilíbrio orgânico.

Males mentais

Parte dos males mentais (depressão, angústia, apatia) é causada por obsessores, mas a maior parte deles tem por origem na própria atitude mental do paciente. 

Pensamentos negativos atraem energias negativas que, quando se tornam constantes e intensas, podem se materializar no corpo físico na forma de doenças. 

Males como: úlceras, enxaquecas, hipertensão, problemas cardíacos, e, até mesmo algumas formas de câncer, podem ser provocados pela mente do paciente, quando esta se encontra tomada por pensamentos negativos. 

Também neste caso os mentores além de indicarem os tratamentos apropriados, esclarecem ao paciente quanto à necessidade de mudar a atmosfera mental, com objetivo de não ficar atraindo continuamente energias desequilibrantes. 

Costumam também sugerir passeios por locais da natureza e o hábito da prece como forma de atrair energias novas e regeneradoras.

Males cármicos

Os males cármicos compreendem doenças incuráveis (fatais ou não) caracterizados pela medicina alternativa, pelas terapias alternativas e por meios espirituais. 

Nestes casos, o tratamento visa ao alívio do paciente ou a prepará-lo emocionalmente para que sua atitude mental não tome o rumo da revolta ou do desespero. 

As doenças cármicas são males que escolhemos antes de encarnar como forma de resgatarmos erros passados. 

Típicos males cármicos são: cegueira de nascença, mudez, idiotia, eplepsia, Síndrome de Down, más formações do corpo físico, etc. 

Na maior parte, as doenças cármicas são males de nascença, embora algumas doenças possam ter sido “programadas” para surgir em determinada época da encarnação. 

São caso em que os mentores não podem (e nem deveriam) curar o corpo, pois com o padecimento deste é que o espírito está resgatando suas faltas e aprendendo valiosas lições para sua evolução e crescimento.

Males espirituais

São aqueles causados pela atuação dos espíritos (obsessores, vampirizadores, etc.) e que se refletem no corpo físico. Nestes casos, os mentores cuidam do corpo físico, enquanto o paciente é tratado também em sessões de desobsessão, descarrego, etc. 

Ou seja, os mentores, com as terapias a seu alcance, minimizam e atenuam os males causados ao corpo físico enquanto o paciente é tratado na origem espiritual do mal de que sofre. 

Quando o paciente se vê livre da presença espiritual nociva, os mentores costumam ainda continuar com os tratamentos visando a reparar os males que já haviam sido causados ao organismo, até que ele retorne ao seu equilíbrio.