Exus são espíritos que já encarnaram na Terra. Na sua maioria, tiveram vida difícil como mulheres da vida, boêmios, dançarinas de cabaré, etc.
Estes espíritos optaram por prosseguir sua evolução espiritual com a prática da caridade, incorporando nos Terreiros de Umbanda.
São muito amigos, quando tratados com respeito e carinho. São, também, desconfiados, mas gostam de ser presenteados e, sempre, lembrados.
Estes espíritos, assim como os Pretos-Velhos, Crianças e Caboclos, são os servidores dos orixás.
Apesar das imagens de Exus fazerem referência ao “Diabo” medieval (herança do sincretismo religioso), eles não devem ser associados à prática do “mal”, pois, como são servidores dos orixás, todos têm funções específicas e seguem as ordens de seus “patrões”.
Dentre elas, duas das principais funções dos Exus são: a abertura dos caminhos e a proteção de Terreiros e dos médiuns contra espíritos perturbadores durante a gira ou as obrigações.
Desta forma, estes espíritos não trabalham somente durante a “gira de Exus”, dando consultas aos consulentes, quando resolvem problemas pessoais, de emprego, de demanda, etc.
Mas o fazem também durante as outras giras (de Caboclos, Preto-Velhos, Crianças e orixás), protegendo o Terreiro e os médiuns, para que a caridade possa ser praticada.
Exu é mau?
Muitos acreditam que nossos amigos Exus são demônios, maus, ruins, perversos e que bebem sangue e se regozijam com as desgraças que podem provocar.
Mas, por que este orixá, irmão de Ogum, animado, gozador, alegre, extrovertido, sincero e, sobretudo amigo é comparado com demônios das profundezas macabras dos infernos?
Bem, para conhecer esta história vamos viajar 6000 anos atrás, até a antiga Mesopotâmia.
A demonologia mesopotâmica influenciou diversos povos: Hebreus, Gregos, Romanos, Cristãos e outros.
Ela sobrevive até hoje nos rituais satânicos de que se têm notícias na televisão e nos jornais, principalmente na Europa e EUA.
Na Mesopotâmia os males da vida que não constituíssem catástrofes naturais eram atribuídos aos demônios (no mundo atual as pessoas continuam a fazer isso).
Os Bruxos, para combater as forças do mal, tinham que conhecer o nome dos demônios e faziam enormes listas, quase intermináveis.
O demônio mau era conhecido genericamente como UTUKKU. O grupo de 7 (sete) demônios maus é com frequência encontrado em encantamentos antigos.
Este grupo se dividia em machos e fêmeas que tinham a forma meio humana e meio animal: cabeça e tronco de homem ou mulher, cintura e pernas de cabra e garras nas mãos.
Com sede de sangue, de preferência humano, mas o aceitavam de outros animais. Os demônios frequentavam os túmulos, caminhos (encruzilhadas), lugares ermos, desertos, especialmente à noite.
Nem todos eram maus. Havia os demônios bons que eram evocados para combater os maus.
Demônios benignos são representados como gênios guardiões, em número de 7 (sete), que guardam as porteiras, portas dos templos, cemitérios, encruzilhadas, casas e palácios.
Os negros africanos em suas danças nas senzalas incorporavam alguns Exus, com seu brado e jeito maroto e extrovertido, assustavam os brancos que se afastavam ou agrediam os médiuns dizendo que eles estavam possuídos por demônios.
Os brancos achavam que esta era a forma que os negros tinham para saudar os santos.
Com o passar do tempo, os brancos tomaram conhecimento dos sacrifícios que os negros ofereciam a Exu, o que reafirmou a sua hipótese de que essa forma de incorporação era devido a demônios.
As cores de Exu –vermelho e preto – também reafirmaram os medos e fascinação que rondavam as pessoas mais sensíveis.
Mas então quem é Exu?
Ele é o guardião dos caminhos, soldado dos Pretos-Velhos e dos Caboclos, emissário entre os homens e os orixás, lutador contra o mal, sempre de frente, sem medo, sem mandar recado.
Exu, que significa “esfera”, é termo originário do idioma ioruba, da Nigéria, na África.
Trata-se da divindade afro que representa vigor, a energia que gira em espiral.
No Brasil, assim como, em todo o resto do mundo, os senhores conhecidos como Exus, por atuarem no mistério cuja energia prevalecente é Exu, são os verdadeiros guardiões das pilastras da criação, preservando e atuando dentro do mistério Exu.
Verdadeiros cobradores do carma e responsáveis pelos espíritos humanos caídos representam e são, nas Trevas, o braço armado e a espada divina do Criador, combatendo o mal e se responsabilizando pela estabilidade astral na escuridão.
Senhores do plano negativo, atuam dentro de seus mistérios, regendo seus domínios e os caminhos que a humanidade percorre.
Em seus trabalhos, Exu corta demandas, desfaz trabalhos, feitiços e magia negra, feitos por espíritos malignos.
Eles ajudam nos descarregos e desobsessões, retirando os espíritos obsessores e trevosos e os encaminham para a luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do astral inferior.
Seu dia é a segunda-feira, seu patrono é Santo Antônio (13 de junho), data comemorativa em que Exu recebe homenagem.
Sua bebida ritual é a cachaça. Sua roupa, quando lhe é permitido, tem as cores preta e vermelha, podendo também ser preta e branca ou conter outras cores, dependendo da irradiação correspondente.
Completa a vestimenta com o uso de cartolas (ou chapéus diversos), capas, véus, e até mesmo bengalas e punhais em alguns casos.
A roupagem fluídica dos Exus varia de acordo com o seu grau evolutivo, função, missão e localização.
Normalmente, em campos de batalhas, eles usam o uniforme adequado.
Seu aspecto tem sempre a função de amedrontar e intimidar. Suas emanações vibratórias são pesadas, perturbadoras. Suas irradiações magnéticas causam sensações mórbidas e de pavor.
É claro que se adaptam aos lugares que frequentam, e assim, eles se apresentarão de maneira diversa.
Em centros espíritas, podem aparecer como “guardas”. Em caravanas espirituais, como lanceiros. Já foi verificado que alguns se apresentam de maneira fina: com ternos, chapéus, etc.
Eles têm grande capacidade de mudar a aparência, podem surgir como seres horrendos, animais grotescos, etc.
Às vezes temido, às vezes amado, mas sempre alegre, honesto e combatente da maldade no mundo, assim é Exu.
Algumas palavras sobre os Exus:
▪ Tem palavra e a honram;
▪ Buscam evoluir;
▪ Por sua função cármica de guardião, sofrem com os constantes choques energéticos a que estão expostos;
Afastam-se daqueles que atrasam a sua evolução;
Estas entidades se mostram sempre justas e, dificilmente, demonstram emotividade, dando-nos a impressão de serem mais “duras” que as demais;
São caridosas e trabalham nas suas consultas mais com os assuntos terra a terra;
Sempre estão nos lugares mais perigosos para a alma humana;
Quando não estão em missão ou em trabalhos, demonstram o imenso amor e compaixão que sentem pelos encarnados e desencarnados;
Exus e Kiumbas – O combate
Os Exus, ao contrário do que se pensa, não são os diabos e espíritos malignos ou imundos que algumas religiões pregam, tampouco são espíritos endurecidos ou obsessores que um grande número de espíritas crê que eles sejam.
Os “diabos” ou demônios são seres mitológicos, já “desvendados” pela doutrina espírita, portanto, não existem.
Espíritos trevosos ou obsessores são espíritos que se encontram desajustados perante a Lei.
Provocam os mais variados distúrbios morais e mentais nas pessoas, desde pequenas confusões, até as mais duras e tristes obsessões. São espíritos que se comprazem na prática do mal, apenas por sentirem prazer ou por vinganças, calcadas no ódio doentio.
Aguardam, enfim, que a lei os “recupere” da melhor maneira possível (voluntária ou involuntariamente).
São conhecidos, pelos umbandistas, como Kiumbas. Vivem no baixo astral, onde as vibrações energéticas são densas.
Este baixo astral é uma enorme “egrégora” formada pelos maus pensamentos e atitudes dos espíritos encarnados ou desencarnados. Sentimentos baixos, vãs paixões, ódios, rancores, raivas, vinganças, sensualidade desenfreada, vícios de toda estirpe, alimentam esta faixa vibracional e os Kiumbas se comprazem nisso, já que se sentem mais fortalecidos.
O baixo astral, mesmo sendo um imenso caos, tem diversas organizações, fortemente esquematizadas e hierarquizadas.
Planos bem elaborados, mentes prodigiosas, táticas de guerrilhas, precisões cirúrgicas, exércitos bem aparelhados e treinados compõem o quadro destas organizações.
Muitas destas organizações agem na plena certeza de cumprirem os desígnios da lei divina e confundem a lei da ação e reação com o “olho por olho, dente por dente”.
Vingam-se pensando que fazem a coisa certa. Algumas agem no mal, mesmo sabendo que estão contra a Lei, mas enquanto a vingança não se consumar, não haverá trégua para os seus “inimigos”.
Acham que não plantam o mal, nem que a reação se voltará mais cedo ou mais tarde.
Cada mal praticado por um espírito o leva cada vez mais para “baixo”. As quedas são frequentes e provocam mais e mais revoltas.
Alguns espíritos caem tanto que perdem a consciência humana, transformando-se (ou plasmando) os seus corpos astrais (perispíritos) em verdadeiras feras, animais, bestas e, como tal, são usados por outros espíritos.
Alguns se transformam em lobos, cães, cobras, lagartos, aves, etc. Outros espíritos chegam ao cúmulo da queda que perdem as características humanas, transformando os seus perispíritos em ovoides.
Esta queda provoca, além da perda de energias, a perda da consciênci, ficando, assim, subjugados por outros espíritos.
Apesar de todo este quadro, pouco esperançoso das trevas, mesmo sabendo que no nosso orbe o mal prevalece sobre o bem, há também o lado da Luz, da Lei, do Bem.
E este lado é ainda mais organizado que o das organizações das trevas.
Existem, também, diversas organizações, com variados trabalhos e ações, mas com um único objetivo de resgatar das trevas e do mal, os espíritos “caídos”.
Vemos colônias espirituais, hospitais no astral, postos avançados da Luz nos umbrais, caravanas de tarefeiros, correntes de cura, socorristas, etc., afeitos e afinizados aos trabalhos dos centros espíritas.
Vemos também, outros trabalhadores espirituais, ligados aos cultos afros.
Os Exus são os “mensageiros” dos orixás aqui na Terra. Por meio deles, os orixás podem se manifestar nas trevas.
Os Exus são considerados como “policiais” que agem pela Lei, no submundo do “crime” organizado.
As “equipes” de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas, não vivem nela. Passam a maior parte do tempo nela, mas, não fazem parte dela.
Devido a esta característica, os Exus, são confundidos com os Kiumbas. Videntes os veem nestes lugares e erroneamente dizem que eles são de lá.
Método e atuação dos Exus
A maneira de os Exus atuarem, às vezes, nos choca, pois achamos que eles devem ser caridosos, benevolentes, etc.
Mas, como podemos tratar mentes transviadas no mal? Os Exus usam as ferramentas que sabem usar: a força, o medo, as magias, as capturas, etc.
Os métodos podem parecer, para nós, um pouco sem “amor”, mas eles sabem como agir quando necessitam que a lei chegue às trevas.
Eles ajudam aqueles que querem retornar à luz, mas não auxiliam aqueles que querem “cair” nas trevas.
Quando a lei deve ser executada, eles a executam da melhor maneira possível doa a quem doer.
Os Exus, como executores da lei e do carma, esgotam os vícios humanos, de maneira intensiva.
Às vezes, um veneno é combatido com o próprio veneno, como se fosse a picada de uma cobra venenosa. Assim, muitos vícios e desvios são combatidos com eles mesmos.
Um exemplo, para ilustrar: uma pessoa, quando está desequilibrada no campo da fé, precisa de um tratamento de choque.
Normalmente ela, após muitas quedas, recorre a uma religião e torna-se fanática, ou seja, ela esgota o seu desequilíbrio, com outro desequilíbrio: a falta de fé com o fanatismo.
Parece um paradoxo? Sim, parece, mas é extremamente necessário. Outro exemplo é o vicio as drogas.
Neste caso, é preciso algo maior para esgotar o vício. Surgem então medidas tais como a prisão, a morte, uma doença, etc.
A lei é sempre justa. Às vezes, somente um tratamento de choque remove um espírito do mau caminho.
E são os Exus que aplicam o antídoto para os diversos venenos.
Os Exus estão ligados, de maneira intensiva, com os assuntos terra a terra (dinheiro, disputas, sexo, etc.).
Quando a lei permite, eles atendem aos diversos pedidos materiais dos encarnados.
Os Exus têm sob o domínio todas as energias livres, contidas em: sangue, cadáveres, esperma, etc.
Por isso, seus campos de atuação são: cemitérios, matadouros, prostíbulos, boates, necrotérios, etc.
Eles lá estão, porque freiam (bloqueiam) as investidas dos kiumbas e dos espíritos endurecidos que se comprazem nos vícios e na matéria.
Os kiumbas, seres astutos, conseguem se manifestar como um Exu, num Terreiro muito preso às magias negras e assuntos que nada trazem elevação espiritual.
Ao se manifestarem, pedem inúmeras oferendas, trabalhos, despachos, em troca de favores fúteis.
Normalmente, eles pedem muito sangue, bebidas e fumo. Chegam a enganar tanto (ou fascinar) que fazem as mulheres que procuram estes “Terreiros”, pagarem as suas “contas”, fazendo sexo com o médium “deles”. Ou seja, eles vampirizam o casal, quando o ato sexual se efetua.
Mas, e os verdadeiros Exus deixam?
É uma pergunta que comumente fazemos, quando estes disparates ocorrem.
Os Exus permitem isso, para darem lição nestes falsos chefes de Terreiros ou médiuns.
Como foi dito, os métodos dos Exus, para fazer com que a lei se cumpra, são variados.
Muitas vezes, também, a obsessão é tão grande e profunda que os Exus não podem separar de uma só vez o obsedado e o obsessor, pois isso causaria a ambos um prejuízo enorme.
Outras vezes, os Exus deixam que isso aconteça, para criar “armadilhas” contra os Kiumbas, que uma vez instalados nos Terreiros, são facilmente capturados e, assim, após um interrogatório, podem revelar segredos de suas organizações, que logo em seguida, são desmanteladas.
Alguns Terreiros, depois disso, são também desmantelados pelas ações dos Exus, causando doenças que afastam os médiuns, as pessoas, etc.
Existem algumas coisas com as quais um guia da direita (Caboclo, Preto-Velho e Criança) não lida, mas, quando se pede a um Exu, ele vai até essa sujeira, entra e tira a pessoa do apuro.
Se tiver alguém para nos assaltar ou nos matar, os Exus nos ajudam e nos livram de tais problemas, desviando o bandido do seu caminho.
Da mesma forma a Pombagira, não rouba homem ou traz mulher para ninguém.
São espíritos que conhecem o coração e os sentimentos dos seres humanos e podem ajudar a resolver problemas conjugais e sentimentais.
Para finalizar, se você for pedir a um Exu de lei (de verdade) para prejudicar alguém, pode estar certo que você será o primeiro a levar a execução da Justiça.
Mas, se você não estiver em um Centro sério, e a entidade travestida ou disfarçada de Exu aceitar o seu pedido... Bom, quando esta vida terminar, e você for para o outro lado... Você será apenas cobrado!
Devemos oferendar aos Exus?
Como já foi dito, os Exus atuam intensamente no submundo astral. Grandes batalhas são travadas entre o bem e o mal.
Muita energia é despendida nestas investidas e os Exus, por atuarem assim, acabam gastando enormemente as suas reservas energéticas.
Depois de vários “dias” trabalhando, eles se recolhem em seus “quartéis” e repõem parte destas energias e aproveitam e estudam, discutem novas táticas, etc.
Quando fazemos alguma oferenda para os Exus, eles “capturam” as energias dos elementos oferendados, ou a parte etérica e “recarregam as suas baterias”.
Mas, se o Exu é um espírito, porque ele precisa de oferendas materiais?
Como eles estão ligados ao terra a terra e ao submundo astral, que é muito denso, os Exus precisam retirar dos elementos materiais a energia que gastaram em seus trabalhos.
Quais elementos podemos oferendar?
Devemos tomar muito cuidado com o que oferendamos, pois, os elementos mais densos (sangue, carne, cadáveres, ossos) são atratores de espíritos endurecidos, que sentem necessidade de elementos materiais.
Portanto, é melhor manipular elementos sutis nas oferendas (frutas, incensos, ervas, etc).
Posso então oferecer um animal sacrificado para um Exu?
Pensemos bem: um animal inocente tem que pagar com a vida para que possamos reabilitar a nossa ligação com um Exu?
Creio que não devemos destruir uma vida por isso. Para harmonizar algo, devemos desarmonizar outro? Não há muita lógica nisso.
O sangue, por ter um alto teor energético, com certeza restauraria rapidamente as “baterias” de um Exu.
Mas, além deste aspecto pouco prático que é o sacrifício de um pobre animal, devemos considerar mais duas coisas:
1. Os inimigos da Umbanda sempre se apegam a este tipo de oferenda para dizer que é uma religião demoníaca.
Quando uma pessoa passa em frente a um despacho numa encruzilhada, aquela cena causa-lhe desagradáveis sensações e os seus pensamentos negativos vão se juntar à egrégora negativa já criada com um despacho.
2. Oferendas com sangue ou carne atraem muitos Kiumbas, às vezes, impedindo que o próprio Exu se aproxime, portanto, estaremos alimentando os vícios destes espíritos.
Resumindo, é melhor não utilizar e não se manipular este tipo de elemento em oferendas, ebós, sacudimentos, etc., pois os resultados podem ser negativos e prejudiciais.
Além disso, a verdadeira oferenda tem a principal função de reenergizar ou sublimar o próprio médium.
Então, o melhor é oferendar elementos não densos, tais como frutas, ervas, velas, incensos, etc.
Lembremos ainda que a UMBANDA não aceita o sacrifício de animais.
As Pombagiras ou Pombogiras
O termo Pombagira é corruptela do termo “Bombogira” que significa em nagô, Exu.
A origem do termo Pombagira também é encontrada na história:
“No passado, ocorreu uma luta entre a ordem dórica e a ordem iônica. A primeira guardava a tradição e seus puros conhecimentos.
Já a iônica tinha-os totalmente deturpados. O símbolo desta ordem era uma pomba-vermelha, a pomba de Yona.
Como estes contribuíram para a deturpação da tradição e foi uma ordem formada em sua maioria por mulheres, daí a associação.”
Se Exu já é mal interpretado e confundido com o Diabo, que dirá se da Pombagira?
Dizem que Pombagira é uma mulher da rua, uma prostituta. Que Pombagira é mulher de Sete Exus!
As distorções e preconceitos são características dos seres humanos, quando eles não entendem corretamente algo, querendo trazer ou materializar conceitos abstratos, distorcendo-o.
Pombagira é um Exu feminino. Na verdade, dos Sete Exus Chefes de Legião, apenas um Exu é feminino, ou seja, ocorreu uma inversão destes conceitos, dizendo que a Pombagira é mulher de Sete Exus e, por isso, prostituta.
É claro que em alguns casos, pode ocorrer que uma delas, em alguma encarnação tenha sido uma prostituta, mas, isso não significa que as Pombagiras tenham sido todas prostitutas e que assim agem.
A função das Pombagiras está relacionada à sensualidade. Elas freiam os desvios sexuais dos seres humanos, direcionam as energias sexuais para a construção e evitam as destruições.
A sensualidade desenfreada é um dos “sete pecados capitais” que destroem o homem: a volúpia.
Este vício é alimentado tanto pelos encarnados, quanto pelos desencarnados, criando um ciclo ininterrupto, caso as Pombagiras não atuassem neste campo emocional.
As Pombagiras são grandes magas e conhecedoras das fraquezas humanas.
São, como qualquer Exu, executoras da lei e do carma. Cabe a elas esgotar os vícios ligados ao sexo.
Quando um espírito é extremamente viciado em sexo, elas, às vezes, dão a ele “overdoses” de sexo, para ensiná-lo de uma vez por todas.
Elas, ao se manifestarem, carregam em si, grande energia sensual, o que não significa que elas sejam desequilibradas, mas sim que elas recorrem a este expediente para “descarregar” o ambiente deste tipo de energia negativa.
São espíritos alegres e gostam de conversar sobre a vida. São astutas, pois conhecem a maioria das más intenções.
Devemos conhecer cada vez mais o trabalho dos guardiões, pois eles estão do lado da lei e não contra ela.
Vamos vê-los de maneira racional e não como bichos-papões. Eles estão sempre dispostos ao esclarecimento.
Por meio de uma conversa franca, honesta e respeitosa, podemos aprender muito com eles.
Agora, eu pergunto a você: o que você sente ao ser incorporado pelo teu Exu?
Pense e depois me diga, se o que você sente não é uma poderosa força neutra que te retesa o corpo e as mãos.
Você não sente ódio, rancor, maldade, perversidade e desejo de vingança, enfim, nada da caracterização de um ser monstruoso que alguns pensam serem nossos irmãos Exus.
Não se esqueça de que Exu muitas vezes é chamado de ”Compadre”, ou seja, aquele em quem você confia tanto, a ponto de dar seu filho para batizar.
Observe que, comportamentos negativos como a agressividade e sensualidade exageradas demonstradas em determinadas incorporações podem ser derivadas do próprio médium.
Se forem, o médium deve buscar conhecer e resolver o próprio problema.
Exus são demônios?
Pelo contrário... Os Exus são os senhores agentes da justiça cármica; são aqueles que guardam cada um de nós e o Terreiro como um todo (quem você acha quem são os vigilantes tão mencionados nos livros de Chico Xavier/André Luiz?).
Estão acima dos princípios do bem e do mal. Tem-se que entender que “demônio” vem do grego “demo”, termo utilizado por Sócrates para definir “espírito” e “alma”.
Por sua vez, em função dos valores “do bem e do mal”, pelo fato de vivermos no mundo da forma, precisou-se estereotipar este “mal”.
Na realidade, “os demônios” estão dentro de cada um de nós.
Com relação aos espetáculos, que certas religiões mostram na televisão, com incorporação de “Exus” que dizem querer destruir a vida dos encarnados, podem até ocorrer manifestações mediúnicas, mas com certeza não são os Verdadeiros Exus da Umbanda que conhecemos, mas sim os obsessores, vampirizadores e Kiumbas que, usando o nome dos Exus, que os combatem, tentam enganá-los, assim como o povo, que, em geral, não tem acesso a uma informação completa sobre a natureza dos nossos irmãos Exus.
Outro fato muitíssimo importante que ocorre em centros não sérios é a manifestação de uma Kiumba passando-se por uma Pombagira.
Deve-se tomar muito cuidado, pois, certamente, ela estará apenas vampirizando as emanações sensuais do médium, podendo prejudicá-lo seriamente.
Vale lembrar que, às vezes, um consulente pode ficar fascinado ou encantado com uma Pombagira. O que fazer então?
“Orai e vigiai” é o lema de todo médium. Devemos estar atentos não com os vícios alheios, mas com os nossos.
Devemos direcionar as energias desequilibrantes e transformá-las em energias salutares, em ações benéficas.
Resumindo, EXU NÃO É O DIABO!!!
Basicamente existem três correntes de pensamento, que tentam explicar o nascedouro do vocábulo “Exu”.
▪ A primeira corrente afirma que a palavra Exu seria uma corruptela ou distorção dos nomes Esseiá/Essuiá que significa lado oposto ou outro lado da margem, nomenclatura dada a espíritos desgarrados que foram arrebanhados para a Lemúria, continente que teria existido no planeta Terra.
▪ A segunda corrente assevera que o nome Exu seria uma variante do termo Yrshu, nome do filho mais moço do imperador Ugra, na Índia antiga.
Yrshu, aspirando ao poder, rebelou-se contra os ensinamentos e preceitos preconizados pelos Magos Brancos do Império.
Foi totalmente dominado e banido com seus seguidores do território indiano. Daí adveio a relação Yrshu / Exu, como sinônimo de povo banido, expatriado.
Saliente-se que entre os hebreus encontramos o termo Exud, originário do sânscrito, significando também povo banido.
▪ A terceira corrente afirma que o nome Exu é de origem africana e quer dizer esfera.
Ainda hoje, apesar dos esforços direcionados a um maior estudo no meio umbandista, os Exus são tidos, pelos que não conhecem suas origens e atribuições, como a personificação individualizada do mal, o diabo incorporado.
Tal imagem é fruto de más interpretações dadas por pessoas que, não tendo a devida cautela em avaliar fatos e objetos de culto, passaram a conferir aos Exus o título de mensageiros das trevas.
Esta imagem pejorativa de Exu, o orixá, foi erroneamente absorvida e difundida por alguns umbandistas, sobretudo aqueles que tiveram passagem por cultos africanistas, o que fez com que uma gama de espíritos de certa evolução, que vieram à Umbanda desempenhar funções mais terra a terra, fosse equiparada a falangeiros do mal, sendo até hoje os Exus simbolizados por figuras grotescas, com chifres, rabos, pés de bode, tridentes, sendo tal imagem do mal pertinente a outros segmentos religiosos.
Em realidade os Exus constituem uma notável falange de abnegados espíritos combatentes de nossa Umbanda.
São hierarquicamente organizados e realizam tarefas atinentes à sua faixa vibratória.
São os elementos de execução e auxiliares dos orixás, guias e protetores, tendo, entre outras tarefas, a de serem as sentinelas das casas de Umbanda, de policiarem o baixo astral e anularem trabalhos de baixa magia.
Ao contrário do que pensam alguns, eles têm noção exata de bem e mal. São justos, ajudando a cada um segundo ordens superiores e merecimento daquele que pede auxílio.
São os Exus que freiam as ações malévolas dos obsessores que atormentam os humanos no dia a dia.
Eles são os vigilantes ostensivos, a tropa de choque que está alerta contra os Kiumbas, prendendo-os e encaminhando-os a colônias de regeneração ou prisões astrais.
Em algumas ocasiões, baixam em templos de Umbanda, ou mesmo em templos de outras religiões, espíritos que tumultuam o ambiente, promovendo espetáculos circenses, galhofas e se comportando de maneira deselegante para com os presentes, xingando-os e proferindo palavras de baixo calão.
Comportamento como estes não devem ser imputados aos Exus, mas sim aos Kiumbas, espíritos moralmente atrofiados e que ainda não compreenderam a imutável lei de evolução, apegados que estão aos vícios, desejos e sentimentos humanos.
Os Kiumbas, para penetrarem nos Terreiros, fingem ser Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças, etc., cabendo ao guia-chefe da Casa estar sempre vigilante ante determinadas condutas, como palavrões, exibições bizarras, ameaças, etc.
Outro aspecto importante que merece ser suscitado diz respeito a alguns “médiuns” infiltrados no movimento umbandista.
Despidos das qualidades nobres que o ser humano necessita buscar para seu progresso espiritual, contaminam e desarmonizam os locais de trabalhos espirituais.
Tentam impressionar os menos esclarecidos com gracejos, malabarismos, convites imorais, encharcados de aguardente. “Desincorporados”, atribuem aos Exus e Pombagiras tais comportamentos.
Fatos como estes são próprios de pessoas sem escrúpulos, moral ou ética, que, perniciosas, se aproveitam da imagem distorcida que se criou de Exu para exteriorizarem o seu verdadeiro “eu”.
Estes “médiuns”, não raras vezes, acabando caindo no ridículo, ficam desacreditados, dando margem, segundo a lei de afinidades, à aproximação e posterior tormento por parte dos obsessores.
Os Exus são espíritos que, como nós, buscam a evolução, a elevação, empenhando-se o mais que podem para aplicar as diretrizes traçadas pelo Mestre Jesus.
É bem verdade que em seu estágio inicial os Exus ainda têm um comportamento às vezes instável, cabendo aos verdadeiros umbandistas o dever de não deixar que se desvirtuem de seu avanço espiritual.
Alguns maus umbandistas, que se não agem por má-fé, o fazem por falta de vontade de estudar a respeito, difundem esta visão negativa de Exu, fazendo com que os iniciantes no culto fiquem temerosos quando um Exu se manifesta.
Estes elementos prestam um desserviço à religião, promovendo o terror, a obscuridade, o conflito, a confusão.
Diminuem os Exus à condição de espíritos interesseiros, astutos e cruéis; que são maus para uns e bons para outros, dependendo dos agrados ou presentes que recebam; de moral duvidosa, fumando os melhores charutos e bebendo os melhores uísques.
A que ponto pode chegar a ignorância humana em visualizar estes seres espirituais como meros negociantes ilícitos, fazendo dos Terreiros balcão de negócios, em total dissonância com o bom senso e com a lei suprema.
“Lamentável! Profundamente lamentável!”
Esta é uma das expressões que mais passam pela mente dos verdadeiros e estudiosos umbandistas ao percorrerem alguns Terreiros e verificarem quão distorcido é o conceito sobre a figura dos Exus.
Espíritos mal compreendidos, mas que, apesar disto, continuam a contribuir eficazmente para os trabalhos de Umbanda, como humildes trabalhadores medem esforços para minorar o sofrimento humano.
Classificação dos Exus
Classificação moral (bem ou mal): Exu pagão ou Exu batizado?
Alguns espíritos, que usam indevidamente o nome de Exu, procuram realizar trabalhos de magia dirigida contra os encarnados.
Na realidade, quem está agindo é um espírito atrasado. É justamente contra as influências maléficas, o pensamento doentio desses feiticeiros improvisados, que entra em ação o verdadeiro Exu que atrai os obsessores ainda cegos, procurando encaminhá-los para suas falanges que trabalham visando à própria evolução.
O chamado “Exu pagão” (ou Kiumbas ou Rabos-de-Encruza) é tido como o marginal da espiritualidade; aquele sem luz, sem conhecimento da evolução, trabalhando na magia para o mal, embora possa ser despertado para evoluir de condição.
Já o Exu batizado é uma alma humana já sensibilizada pelo bem, evoluindo e trabalhando para o bem, dentro do reino da Quimbanda, por ser força que ainda se ajusta ao meio, nele podendo intervir, como um policial que penetra nos reinos da marginalidade.
Não se deve, entretanto, confundir um verdadeiro Exu com espíritos zombeteiros, mistificadores, obsessores ou perturbadores que recebem a denominação de Kiumbas e que, às vezes, tentam mistificar, iludindo os presentes, usando nomes de “Guias”.
Para evitar essa confusão, não damos aos chamados “Exus Pagãos” a denominação de “Exu”, classificando-os apenas como Kiumbas ou, ainda, Rabos-de-Encruza.
E reservamos para os ditos “Exus Batizados” a denominação de “Exu”.
Classificação pelos pontos de vibração dos Exus
Exus da Calunga (do Cemitério):
São Exus que, em sua maioria, servem à Obaluaiê. Durante as consultas são sérios, reservados e discretos, podem eventualmente trabalhar dando passes de limpeza (descarregando) o consulente.
Alguns não dão consulta, apresentando-se somente em obrigações, trabalhos e descarregos.
Exus da Encruzilhada:
São Exus que servem a orixás diversos. Não são brincalhões como os Exus da Estrada, mas também não são tão fechados como os do Cemitério (Caluga). Gostam de dar consulta e também participam em obrigações, trabalhos e descarregos.
Alguns deles se aproximam muito (em suas características) dos Exus do cemitério, enquanto outros se aproximam mais dos Exus da estrada.
Exus da Estrada:
São os mais “brincalhões”. Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas “brincadeiras” devem partir SEMPRE do guia e nunca do consulente.
São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu. Movimentam-se muito e também falam bastante.
Alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo.
Organização e hierarquia dos Exus:
Os Exus estão também, divididos em hierarquias. Assim, temos desde Exus muito ligados aos orixás até aqueles Exus ligados aos trabalhos mais próximos às trevas.
Os Exus dividem-se hierarquicamente, em três planos ou três ciclos e em sete graus e a divisão está formada “de cima para baixo”:
Terceiro ciclo
Neste ciclo, encontramos os chamados Exus Coroados. São aqueles que têm grande evolução e já estão nas funções de mando.
São os chefes das falanges. Recebem as ordens diretas dos chefes de legiões da Umbanda.
Poucos são aqueles que se manifestam em algum médium.
Apenas alguns médiuns, bem preparados, com enorme missão aqui na Terra, têm um Exu Coroado como o seu guardião pessoal.
São os guardiões-chefes de Terreiro. Não mais reencarnam, uma vez que já esgotaram, há tempos, os seus carmas.
Segundo ciclo
Neste ciclo, encontramos os chamados Exus Cruzados ou Batizados. São subordinados dos Exus Coroados.
Já têm a noção do bem e do mal. São os Exus mais comuns que se manifestam nos Terreiros. Eles, também, têm funções de subchefes.
Fazem parte da segurança de um Terreiro. O campo de atuação destes Exus está nas sombras (entre a luz e as trevas).
Estão ainda nos ciclos de reencarnações.
Exus Espadados – São subordinados dos Exus Cruzados ou Batizados. O campo de atuação destes Exus se encontra entre as sombras e as trevas.
O campo de atuação dos Exus, de um modo geral, está praticamente em todas as camadas inferiores, com exceção das terceira, segunda e primeira camadas, às quais eventualmente eles “descem” para missões especiais ou às quais eles mandam os Rabos-de- Encruza (Kiumbas ou, ainda, Exus Pagãos), uma vez que estes estão mais “ambientados” comas baixas e perniciosas vibrações destes ambientes.
Não que os Exus não possam “descer” até lá, mas sim porque é desnecessário criar uma guerra com os seres infernais, apenas porque se invadiu aquelas zonas.
Kiumbas ou Exus Pagãos ou Rabos-de-Encruza São subordinados aos Exus de nível acima.
São aqueles que não têm distinção exata entre o bem e o mal. São conhecidos, também como “rabos-de-encruza”. Aceitam qualquer tipo de trabalho, desde que se pague bem.
Não são confiáveis, por isso.
São comandados de maneira intensiva pelos Exus de hierarquias superiores.
Quando fazem algo errado, são castigados pelos seus chefes e querem vingar-se de quem os mandou fazer a coisa errada. São kiumbas, capturados e depois adaptados aos trabalhos dos Exus.
O campo de atuação dos Exus Pagãos é as trevas. Conseguem se infiltrar facilmente nas organizações das trevas.
São muito usados pelos Exus dos níveis acima, devido esta facilidade de penetração nas trevas.
A maioria dos livros espíritas, que tratam do assunto dos níveis vibracionais, não chega sequer a mencionar algo além das camadas intermediárias ou do médio e do alto umbral.
Descrevem na maioria das vezes as camadas que ficam as sombras e não nas trevas, pois os espíritos que fazem tais incursões não podem ou não devem “baixar” mais, pois somente cabem aos Exus, espíritos especializados “descer” tanto.




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