A justiça de Xango não falha! 

Em 2012, eu decidi vender meu carro, um celta 2009, que havia comprado 0km, depois de uns dias anunciado na internet, um rapaz entrou em contato comigo interessado em comprar o carro. 

Ele me perguntou se eu poderia levar o mesmo até o local de trabalho dele pra ele dar uma olhada e ver se o carro estava em bom estado, ele trabalhava numa companhia aérea não muito conhecida dentro do aeroporto do galeão, no Rio de Janeiro.

Chegando lá ele viu o carro e testou alguns comandos, logo depois fez uma contraproposta pra mim e como não fugia muito do que estava pedindo aceitei.

Fomos então até o banco e ele antes de realizar a transferência bancária, pediu para eu deixar o recibo de compra e venda do veículo em branco, pois ele além de trabalhar na cia aérea ele também trabalhava comprando e vendendo carro. 

Ele me prometeu que quando vendesse o carro para um terceiro entraria em contato comigo e para que eu fechasse o recibo direto no nome da pessoa que ele vendesse, na pressa de vender o carro para comprar outro, aceitei o pedido dele. 

Dois meses após a venda, ele entrou em contato comigo e me disse que que havia vendido o carro para uma moça e que queria me encontrar para fecharmos o recibo no nome dela. 

Eu trabalhava no centro do Rio de Janeiro, ao lado do prédio do Detran, marcamos dele ir ao meu encontro e fomos até um cartório proximo, fechei o recibo e entreguei para ele. 

A compradora já havia preenchido e reconhecido firma, por isso ela não foi ao nosso encontro, como nunca havia vendido nenhum veiculo na vida, não me preocupei em tirar cópia do documento para comunicar a venda, nem sabia que esse procedimento existia e acreditava que a pessoa que estava comprando o carro passaria o carro para o seu nome imediatamente.

Após 2 anos da venda, pra minha surpresa, chega na minha casa uma multa do carro, corri pro site do detran e constatei que o carro ainda constava em meu nome. 

Como não tive contato algum com a moça que comprou o carro e como não tinha mais o telefone do rapaz, fui até o aeroporto no intuito de conseguir algum contato da moça que adquiriu o carro dele.

Fui por diversas vezes ao aeroporto e não tive sucesso, pois como a companhia aérea era que ele trabalhava só fazia um voo por dia e esse voo era de madrugada era muito difícil encontrar alguém da empresa dele por lá. 

Por sorte consegui 2 vezes a primeira deixei meu contato para que ele me retornasse e na segunda fui informado que o mesmo já não mais trabalhava no local. 

Assim começou minha saga de preocupação, pois ficava preocupado em cometerem algum delito utilizando o carro e me prejudicar e me preocupava com as possíveis multas que poderiam cair no meu prontuário e consequentemente fazer com que perdesse minha CNH. Me perguntava como resolveria esta questão? 

Fui ao detran diversas vezes pois na época trabalhava ao lado da sede e a informação que me passavam e que eu só poderia desvincular o veículo do meu nome se eu comunicasse a vendar pra comunicar a venda eu teria que ter pelo menos uma cópia do recibo de compra e venda, o que eu não me preocupei em fazer na época. 

Pensei em várias possibilidades, até mesmo dar queixa de roubo ou furto, mas isso só traria mais problemas pra mim do que já estava passando, pra minha sorte quem estava com o carro não tomava tantas multas. 

Chegava uma ao ano no máximo e todas elas por radar eletrônico, o que dificultava a localização do veículo. 

Até que em maio de 2019, não sei ao certo o dia, chegou uma multa no endereço da casa de minha mãe, em 2012 morava com ela. 

O que me chamou a atenção foi que essa multa multa não era de radar eletrônico e sim dada por um policial militar por conta do veículo estar estacionado no passeio (calçada). 

O endereço era muito próximo ao endereço que minha mãe mora, entrei na mesma hora no sites dos órgãos competentes pra ver se o mesmo havia sido rebocado, mais não havia registro de guincho. 

Como estava morando na Barra da Tijuca, cerca de 35KM da casa da minha mãe decidi que quando estivesse por la passaria pelo local pra ver se eu encontrava o carro. 

Os dias passando peguei a multa (papel físico) com minha mãe, num encontro que tive com ela e guardei no bolso e lá foi ficando, trocava de bermuda e transferia tudo que tava no bolso de uma bermuda pra outra bermuda. 

No dia 24 de junho de 2019 (segunda feira) dia de nossa gira semanal no terreiro, acontecia uma gira como toda segunda feira (Não sei precisar se era de caboclo ou de preto velho).

Ao final houve uma homenagem a Xango, lembro que agradeci mas não pedi nada, estava tão extasiado com a energia de meu pai, que nem me lembrava desse problema, mas ele sabia da minha saga e da minha peregrinação. 

Os dias se passaram e na quinta feira dia 27/06/2019, pedi pra minha mãe que comprasse uns balões lá no no centro do Rio de Janeiro, levasse pra casa dela.

Pois começaria uma festa junina no shopping onde tenho uma loja, na Barra da Tijuca e nos iríamos vender esses balões na festa, como ela trabalha lá no centro da cidade eu não precisaria me deslocar da barra pra ir até o centro. 

Ela comprou os balões e levou pra casa, pra eu não ter que sair da barra pra ir até iraja, eu tinha 3 opções: 

1- Minha sogra na quinta à noite estava indo pra minha casa pra ficar com nossa filha no fim de semna, por causa do grande movimento de festa junina na loja e ela poderia pegar os balões e levar pra minha casa. 

2- Uma amiga nossa que trabalha limpando casa e mora perto da minha mãe estava indo pra nossa casa na sexta de manhã pra dar faxina e poderia pedir a ela pra pegar os balões e levar pra nossa casa 

3- Meu funcionário, que diga-se de passagem “tinha um parafuso a menos” rsrs morava a 50 mts da minha mãe poderia passar lá e pegar os balões e levar direto pra loja 

Optei pela terceira opção.

Falei com ele: “Amanhã antes de você vir pra loja (ele pegava 13:00) você passa lá na minha mãe e pega uns balões pra mim? Pois amanhã vai ter festa junina e esses balões vendem muito bem, não esquece ok ? Ele respondeu: “ok, pode deixar”.

Dia seguinte (sexta feira) de manhã estou ligando pra ele pra não esquecer, só dava desligado, mando mensagem e a mensagem não chega pra ele.

Como sempre tinha dificuldade de falar com ele não me preocupei muito, fui almoçar, quando estava terminando de almoçar um outro funcionário meu passou por mim, ele vinha da loja, e aí eu o indaguei: “o fulano já chegou?” Ele respondeu: “Hoje tá de folga!” Eu disse: “como assim? 

Eu pedi pra ele ontem pegar os balões e trazer pra mim e ele disse ok, em nenhum momento ele disse que tava de folga, pelo contrário, disse que viria trazer os balões, já tentei falar com ele e não consigo (quem montava a escala de trabalho era a gerente da loja, por isso não sabia quem estava de folga). 

Levantei pau da vida com ele, o xingando mentalmente de tudo quanto é nome e fui a caminho da casa da minha mãe pra pegar os benditos balões. 

Chegando na casa da minha mãe, apressado pois tinha que voltar pra loja rápido, comecei a procurar o balão e nada de achar.

Liguei pra minha mãe pra saber onde ela havia deixado e o local que ela indicou não estava, aí minha esposa me liga e me diz que o funcionario acabara de chegar na loja com os balões, se eu já estava pau da vida com ele antes, agora a raiva da estava 10 vezes maior. 

Sai da casa da minha mãe e ao tirar a chave do carro do bolso da bermuda, caiu no chão um papel, quando eu olho pra baixo eu vejo que o papel que caiu foi o papel da multa, eu iria voltar pra loja pelo caminho mais rápido, mas ao pegar o papel e lembrar da multa decidi voltar pelo caminho onde o carro havia tomado a multa.

Ao chegar ao local, não acreditei no que via, o carro estava no mesmo lugar onde ele havia tomado a multa dias antes, liguei pro meu padrasto e ele conhecia o dono da casa de festas que o carro estava parado em frente, ele disse quem era o “dono” do carro e fomos até o rapaz e resolvemos os tramites que eram necessarios para eu me desvincular do carro. 

Tenha fé na justiça de Xangô, ele sempre faz justiça pra nos ajudar.

Gratidão ao meu Pai Xango por estar presente e fazer justiça em minha caminhada.  

Kao kabecile.

Eric Martins.